sábado, 22 de novembro de 2014

Mondial de La Bière

Cerveja, comida com alto teor de gordura e rock and roll. Tudo junto e misturado em beer trucks, stands de vendas e quiosques. Esta é a receita de sucesso do Mondial de La Bière para atrair a crescente massa de apreciadores do lúpulo.




Difícil mesmo é escolher o que degustar entre tantas opções. No site do evento vc tem acesso à lista detalhada de produtos por tipo e preço. O ingresso à feira inclui o copo para as degustações. As doses de 200 ml variam entre 5 e 10 reais na média para produtos mais bem elaborados. Uma boa dica é formar um grupo e provar um pouco de tudo. 

Logo na entrada o stand Ampolis trouxe as divertidas Cacildis e Biritis para brindarmos o início de uma intensa tarde.


Particularmente gosto de sabores mais intensos. O Petit Pub trouxe rótulos inéditos e lançamentos como a bela tripple de 600 ml da Green Flash por R$ 30.


No The Beer Planet Club encontramos o amigo Padilha, sommelier de cervejas que promove um clube de cervejas por assinatura com recebimento de 4 rótulos por mês. É possível escolher o perfil de iniciante a avançado ou ainda um mix de rótulos.


Pausa para forrar o estômago. A feijoada na feira é servida na versão bolinho do Aconchego Carioca mas o nosso foco era o porquito mexicano do Ogrostronomia e o hamburguer do Hell's. 

Isto sim é comida de verdade ! Dieta é para fracos.




Na volta aos stands visitamos a Rota Cervejeira do Rio de Janeiro, uma iniciativa da secretaria de turismo para promover esta mais nova vocação das montanhas do estado.

Esta é a segunda edição do evento no Brasil e já consolidado como o mais importante festival internacional de degustação e difusão da cultura cervejeira no país. Além de mais de 600 rótulos de cervejas especiais para degustação, o evento oferece aos visitantes um extenso segmento educacional com workshops e talk-shows.

Na minha singela opinião destaco os stands Backer das Geraes com uma espetacular cerveja de trigo, o Invicta de Ribeirão Preto pela India 1000 Ibu e Saison à trois e ainda as cervejas Flip de gengibre e Naughty Grog black dos piratas do Weird Barrel. Provamos também a intrigante Chocolate Beer do Bodebrown de Curitiba.



A organização do evento disponibiliza água mineral para ajudar o fígado e a hidratação.


Serviço:
Mondial de La Bière, 20 a 23 de novembro das 14 às 23h
Terreirão do Samba - Rua Benedito Hipólito, s/nº, Praça Onze

http://www.mondialdelabiererio.com/

Fundado em 1994, sobre a governança de Jeannine Marois (presidente e co-fundadora do festival) e sua equipe, o Mondial de La Bière tornou-se o mais importante festival de cervejas internacionais na América. Além de Montreal (Canadá) o evento é realizado também em Mulhouse (França) e Rio de Janeiro (Brasil).



sábado, 8 de novembro de 2014

Bonde do Becoza

O amigo Juarez Becoza que escreve a coluna Pé-Sujo para O GLOBO, convidou a embarcar no seu Bonde para percorrermos alguns dos melhores botecos da cidade. Programinha a minha cara !

O ponto de encontro foi o Real Chopp, um clássico de Copacabana conhecido pela loura gelada na pressão e extenso cardápio de petiscos.

O dono, seu Hermínio, um português simpático que comanda o negócio há cerca de 30 anos, se orgulha da clientela fiel e já na 3a geração de frequentadores.

Aqui conhecemos os nossos companheiros de jornada. Esperamos os ponteiros do relógio se unirem para iniciarmos os trabalhos com uma tulipa, porção de torresmo, pastéis de lagosta e croquetes de carne. Todos ainda muito comedidos e curiosos para saber o que nos aguardava.


Formada a caravana embarcamos no Bonde para um divertido passeio que duraria a tarde inteira. 


Primeira parada: Bar do Momo. A grande recente "revelação"da cidade, este legítimo pé-sujo tijucano conquistou a preferência de muitos pelas criações inventivas de pratos como o farol de milha e o bolinho de arroz com calabresa. 

A feijoada aqui é às 6as feiras e quando se tem sorte, é possível provar a raspa do caldeirão aos sábados como hoje. Muito me impressionou a quantidade de saborosas costelinhas, minha declarada preferência entre as demais concorrentes do prato.



Este foi o primeiro momento de relaxamento do nosso grupo, a esta altura capitaneado pela agradibilíssima figura do Ricardo Amaral, que acompanhado da esposa Gisela e seus amigos, buscava elementos finais para o livro sobre botecos que está preparando para lançamento em breve.

Alô, alô ! 


Dali para o Bar da Portuguesa em Ramos, onde Dona Donzília nos aguardava com o melhor torresmo da cidade e outros sucessos como empadas, bolinhos de bacalhau, camarão e o imperdível frango marítimo. As gaiolas de passarinhos na calçada e a enorme amendoeira emolduram este típico representante da calma do subúrbio carioca.

O botequim recebeu em 1969 o encontro do vizinho Pixinguinha e do violonista Baden Powell, registrado pelo músico francês Pierre Barouh no documentário "Saravah" que desembarcava no Rio de Janeiro disposto a registrar em película momentos de uma música que, embora conhecesse pouco, o fascinava intensamente.




A esta altura com a fome aplacada, a caravana já se assemelha a uma grande família. É hora de pensarmos no próximo desafio e o que fazermos para guardar espaço e cumprirmos com a nossa missão.



O Cachambeer foi nossa última parada. O boteco tem uma das estórias mais originais e que poderia ter ocorrido a qualquer um dos presentes. Assíduo frequentador de um antigo pé-sujo naquele endereço, e certo dia embalado por muita cerveja, o Marcelo fez uma oferta ao português para que continuasse a servir a bebida para sua mesa. O negócio foi selado no dia seguinte a assim a cidade ganhou um dos maiores experts em botequins, afinal, ninguém melhor do que um cliente para saber como e o que servir à clientela.

Nesta empreitada não poderiam faltar o porquinho embriagado na cachaça e a famosa costela.



No final tudo sai perfeito, assim como a pose do grupo para a foto !


O Bonde do Becoza é o programa da família brasileira ! É diversão garantida entre amigos e ideal para comemorações de todos os tipos. Não tem errada.

Tem um amigo visitando a cidade ? É o programa certo para se divertir sem se preocupar com nada, afinal todas as despesas estão incluídas assim como o transporte entre os botequins.

As saídas são aos sábados programados ou sob consulta com o Juarez. 

Serviço:
Bonde do Becoza
Tel 21 99375-7580

https://www.facebook.com/juarezbecoza

sábado, 25 de outubro de 2014

Cassoulet de Frutos do Mar

Dando sequência ao post anterior sobre as versões da feijoada atravessamos a fronteira para a vizinha França, terra da alta gastronomia e que nos brinda com o prato oriundo da região do Languedoc-Roussilon, mais especificamente da cidade de Castelnaudary que realiza anualmente no mês de agosto a Fête du Cassoulet.


Conta a lenda que o prato surgiu durante a Guerra dos Cem Anos travada entre França e Inglaterra entre os séculos 14 e 15 quando o cozido era preparado com os suprimentos disponiveis para fortalecer as tropas francesas durante o combate.

O prato é composto de feijão branco com linguiça e carnes como pato, ganso, cordeiro, perdiz ou porco, a depender da receita. Aqui nos trópicos é comum adicionar os frutos do mar e foi esta a receita que fomos provar no Giuseppe Grill Leblon.

O restaurante foi premiado em 2014 pela melhor carta de vinhos da cidade pelo O Globo e melhor carne pela revista Veja Rio como indicam os prêmios logo na entrada.


O ambiente rústico dos tijolos aparentes recebe uma importante coleção de quadros e combina com o piso de madeira de demolição. O balcão de peixes e frutos do mar trazidos diariamente reforçam a especialidade da casa em grelhados. Outra especialidade da casa é o sorriso impresso nos rostos da equipe como os maitres Didi e Maurício e o chef Fernando Ribeiro.



Um enorme diferencial da carta de vinhos premiada é o grande número de rótulos vendidos por taça, sendo que, a casa cobra pela taça a exata proporção de 1/4 do valor da garrafa inteira. Além de simpático é bem honesto. Na dúvida do que escolher é bom consultar a sommelière Janaína uma sugestão para acompanhar o prato. 



Foi assim que meu cassoulet (pronuncia-se caçulé) foi acompanhado por uma taça de Mariana, um branco português do Alentejo com notas minerais e que foi assim nomeado em homenagem à freira que manteve um amor secreto por um oficial francês, que lutou em solo português durante a Guerra da Restauração entre Portugal e Espanha no século 17.

Dos terraços da Adega do Rocim vê-se ao fundo a Torre do Castelo de Beja, lembrando Mariana Alcoforado, a freira enclausurada, escrevendo ao seu amado, enquanto olhava como dádivas de amor, os abençoados vinhedos que dali podia contemplar. 

Na primavera de 1666 a guerra com os espanhóis chegava ao fim e Chamilly iria partir para sempre.

"Atribuo toda esta desgraça à cegueira com que abandonei a dedicar-me a ti.Pois não devia eu prever que os meus prazeres acabariam antes que acabasse o meu amor ?" 

Mariana Alcoforado em Cartas Portuguesas 1669



Serviço:
Giuseppe Grill Leblon
Rua Bartolomeu Mitre, 370 - Leblon
http://www.bestfork.com.br/giuseppegrill/leblon/

Tel 21 2249-3055 (aceita reservas)

R$ 64, o Cassoulet de frutos do mar
R$ 32, a taça de vinho Mariana


Sobre as Cartas Portuguesas

Mariana Alcoforado foi uma das religiosas da Ordem de Santa Clara, do Convento da Conceição de Beja, local onde actualmente funciona o Museu Regional da cidade. Natural de Beja, nasceu a 22 de Abril de 1640, entrou na clausura com 11 anos, vindo a professar aos 16. Porteira, Escrivã e Vigária, foram alguns dos cargos que exerceu durante a sua longa vida conventual. Faleceu em 28 de Julho de 1723.

As cartas de amor são a sua paixão sublime não correspondida, que perdura no tempo e tem despertado o interesse de todo o mundo. Desde a edição princeps de Claude Barbin, datada de 4 de Janeiro de 1669, com o título de “Lettres Portugaises Traduites en François”, até hoje, sucederam-se centenas de edições em diferentes idiomas, poemas, peças de teatro, filmes, obras de interpretação plástica e musical.

Os amores com o Marquês de Chamilly, a quem vira pela primeira vez do terraço do convento, de onde assistia às manobras do exército, deve ter ocorrido entre 1667 e 1668. Sóror Mariana pertencia à poderosa família dos Alcoforados, e o escândalo provavelmente se alastrou. Temeroso das consequências, Chamilly saiu de Portugal, pretextando a enfermidade de um irmão. Prometera mandar buscá-la. Na sua espera, em vão, escreveu as referidas cartas, que contam uma história sempre igual: esperança no início, seguida de incerteza e, por fim, a convicção do abandono. Esses relatos emocionados fizeram vibrar a nobreza da França, habituada ao convencionalismo. Além disso, levaram, para a frívola sociedade, o gosto acre do pecado e da dor, pois, ao virem a lume, divulgaram a informação de que as compusera uma freira.

O Museu conserva ainda a grande janela gradeada, mais conhecida como a Janela de Mértola, das Portas de Mértola ou de Mariana, verdadeiro ex-libris do convento, do museu e da cidade, através da qual a religiosa viu tantas vezes passar aquele que a encantava e que num dia especial a destacou com o seu olhar e lhe fez sentir os primeiros efeitos da sua infeliz paixão.

Fonte: http://www.museuregionaldebeja.pt/?page_id=28