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domingo, 21 de maio de 2017

Petrópolis (ou a serra do Alemão)

Subir a serra é sempre um programa de descobertas e tradições. Você entra literalmente no clima à medida que a serração vai aparecendo e encobrindo as montanhas. Logo na chegada à Petrópolis a parada na Pavelka é mais do que obrigatória.

 

Fundada em 1952 pelo casal de imigrantes tchecos Vladimir e Helene Pavelka, a pequena casa de frios com azulejos e mesas de fórmica coloridas sempre atraiu os visitantes.

Quando criança, gostava especialmente de chegar à noitinha com serração e esperar a confirmação: "Vamos parar no Alemão". Era aqui que meu avô e meu pai compravam frios e fazíamos um lanche com o tradicional sanduíche de linguiça que é exatamente o mesmo desde que frequento a região, ou seja, uns 52 anos.

A segunda parada era a casa vizinha para comprar biscoitos amanteigados e que convenientemente com o tempo mudou o nome para Casa do Alemão passando a disputar a clientela com produtos similares aos da Pavelka.

Entendeu agora quem é o alemão original ? Claro que é uma questão de gosto pessoal mas nunca abandonei o meu lanche favorito.

 

Nosso destino desta vez era Araras, distrito de Petrópolis conhecido pelas belíssimas paisagens.

Uma parada para compras na Rua Teresa e aguardo no boteco de raiz. Outra parada agora para comprar biscoitos amanteigados. De minhas muitas lembranças da infância em Petrópolis lembro bem de acompanhar meu avô Cláudio até a antiga casa de biscoitos do Sr Gastão onde uma conversa gentil era trocada antes de tudo. Ali meus olhos brilhavam e aguardavam pelas delícias que derretiam na boca. Especialmente sou fã até hoje dos biscoitos de araruta. Um café acompanha muito bem.

 

Ainda no Centro e já no caminho para estrada via Bingen passamos por uma esquina animada e resolvemos checar. Era a tradicional choperia Gehren. Fundada em 1941 como bar e leiteria, desde 1981 é tocada pela família Reuhter. De alemão para alemão a choperia passou por algumas reformas e aqui 7 x 1 não tem graça.

 
 
 

Pedimos chopps Itaipava e na sugestão do garçom a linguiça suína de whisky e laranja. Ajoelha e reza. Hora de agradecer aos colonos alemães que escolheram esta cidade para povoar.

 

Chegamos afinal ao nosso destino em Araras, o delicioso chalé da antiga pousada Pirineus com propriedade hoje tocada pelo simpaticíssimo casal de anfitriões Monica e Luis no sistema Airbnb.

Pense no paraíso ? Colada na pedra Maria Comprida e com ampla vista para a cadeia de montanhas da região, o local era tudo que precisávamos para um perfeito final de semana. Desafio da lareira cumprido, hora do brinde e relaxar admirando a vista.

 
 

No dia seguinte após o sono dos justos fomos visitar o Vale das Videiras, conhecido pela prática de mountain bike e caminhadas. Soubemos que aos sábados tem uma feira de produtos orgânicos e ainda conseguimos o último meio quilo de feijão vermelho da roça, gentilmente cedido por amigas que fizemos ali mesmo no boteco da pracinha.

De feijoada neste post apenas o belo conjunto de louça à venda no Galpão Caipira no vale. Anotamos algumas dicas para a próxima viagem, levamos queijo do Sítio Solidão e paramos para admirar o trabalho do Zé Preto.

 
 

O que mais se pode desejar da serra ? Local perfeito para a nossa comemoração de namoro.


Serviço:

Pavelka
Km 82 da BR-040, Quitandinha - Petrópolis
Tel (24) 2245-4102
R$ 12, o sanduíche de linguiça suína com queijo

Biscoitos do Sr Gastão
Rua 7 de abril, 420, Centro - Petrópolis
R$ 35, o quilo

Choperia Gehren
Rua Montecaseros, 626, Centro - Petrópolis
Tel (24) 2231-8445

R$ 39, a linguiça Capriata com whisky e laranja
R$ 7, o chopp claro ou escuro
R$ 12, o chopp Weiss

Chalés Pirineus
Tel (21) 97631-9994 Luis Carlos

sábado, 17 de janeiro de 2015

Bohemia - A Saga da Cerveja

Bohemia, aqui me tens de regresso ! Petrópolis faz parte da minha estória. Ali passei todas as férias de verão da minha infância na casa de meus avós maternos. 

Quando recebemos o convite para degustar a feijoada no restaurante da Cervejaria Bohemia este post passou a ser totalmente emotivo.

Lembro de acompanhar o meu avô Cláudio à antiga fábrica da Bohemia (foto abaixo) na Washington Luis levando os cascos de cerveja vazios para a troca. Também comprávamos Soda Limonada Mora para as crianças.


A atual fábrica da Bohemia é um complexo moderno instalado no centro da cidade bem próximo ao Palácio de Cristal e portanto no miolo da zona turística da cidade. A visita à cervejaria começa com o tour interativo Saga da Cerveja.


Depois deste tour vc nunca mais irá beber uma cerveja da mesma forma. A história da cerveja está intimamente conectada ao desenvolvimento do Homem, do domínio da água, da agricultura e das técnicas do cultivo de grãos.

Já foi a Orlando ? Sabe aquelas atrações onde a área de vivência é o diferencial para entrar no clima e melhor aproveitar o passeio ? Assim é este tour que eleva a cidade de Petrópolis à categoria de detentora de um atrativo cultural de qualidade internacional.

Logo na entrada a atendente informa que o tour leva cerca de 1 a 1h30. Eu não contei o tempo que levei pois muito me interessou a primeira fase onde vc imerge detalhadamente na história da cerveja ao longo dos séculos.

Conta a lenda que uma deusa sumeriana da região da Mesopotâmia transformou a mistura de água e cevada num líquido dourado de sabor agradável. Eis o momento da criação da cerveja !

Já os babilônios relatam que a cerveja era servida nas reuniões de deuses e na celebração das vitórias.

Não seríamos afinal, todos nós deuses, e que após um longo dia de batalha também merecedores do nosso cálice de ouro líquido ?

Na realidade a cerveja foi uma descoberta do acaso no ano 6.000 AC quando um camponês sumeriano simplesmente esqueceu os grãos da sua colheita a céu aberto. Veio a chuva e após o sol para fermentar a mistura em um líquido desconhecido.

3 mil anos depois, no Egito, a cerveja já era utilizada como oferenda aos mortos e forma de pagamento aos trabalhadores como os que subiram as pirâmides. Nada mal.

Até o atual estágio da nossa Lei Seca muitas normas e leis foram escritas sobre a regulamentação da produção e consumo da cerveja. A primeira delas foi no Código de Hammurabi, o primeiro conjunto de leis da humanidade em 1730 AC.

Aos romanos é creditado a arte do vidro, vasilhame que passaria a guardar o líquido precioso.




São 4 elementos da Natureza e 4 ingredientes da cerveja: a água que se mistura ao malte, a terra que produz o cereal, o fogo que prepara a mistura e o ar que fecunda a mistura pelas leveduras.

A produção da cerveja é uma arte guardada por sábios e que tem Reis e Santos protetores conforme descreve uma das estações. Os mosteiros desde a Idade Média estiveram conectados à produção.


Nas estações seguintes vc aprenderá sobre a arte do mestre cervejeiro, do cozimento, filtração e maturação deste ouro líquido que sorvemos tão displicentemente. Vc vai aprender sobre a chegada da cerveja no Brasil e seu desenvolvimento por todo o país. E vai conhecer a estória da nossa querida Bohemia desde 1853.



Durante o trajeto duas paradas são providenciais para a degustação de chopp tirado da fonte. Vai resistir ?


Depois vc pode continuar no restaurante ou no bar da cervejaria onde também é possível adquirir as cervejas especiais que possivelmente não encontrará com facilidade na sua cidade. 


Vale muito a pena aproveitar a oportunidade para degustar a série de chopps Sabores do Brasil como o delicioso Bela Rosa (trigo com aroma de pimenta rosa), o refrescante Caá-Yari (belgian blond com aromas de mate e especiarias) e o intrigante Jabutipa (puro malte IPA com aroma de jabuticaba).

 

Sábado é dia de feijoada no restaurante da cervejaria. A guarnição vem servida montada no prato e acompanhada de uma panelinha com o feijão e as carnes. Não resisti e pedi para repetir a farofa molhadinha e o torresmo de bacon. A couve crocante é feita à minuta. Tudo perfeito.


Nosso muito obrigado à Gabriela do marketing pelo convite e à Lígia pela receptividade da equipe Bohemia no restaurante com Delmar, Marta e Carlos.



Serviço:
Cervejaria Bohemia
Rua Alfredo Pachá, 166 - Petrópolis
Tel 24 2237-2546

R$ 24 ingresso para adulto
R$ 12 meia entrada

R$ 34,90 a feijoada para 1
R$ 11 chopp

Horário de funcionamento do Tour: 
3a à 5a: 13h às 16h30
6a: 10h às 16h30
Sábados, domingos e feriados: 10h às 18h30

Horário de funcionamento do Restaurante:
Quarta e Quinta-feira: 12h às 22h
Sexta-feira, Sábado e feriados: 12h às 23h
Domingo: 12h às 16h
*Shows aos Sábados com couvert de R$15,00

Horário de funcionamento do Bar Bohemia:
Terça-feira: 14h às 21h
Quarta e Quinta-feira: 12h às 22h
Sexta-feira, Sábado e feriados: 12h às 00h
Domingo: 12h às 22h

domingo, 26 de junho de 2011

Bauernfest

Dedico este post ao meu irmão Álvaro, petropolitano de coração, alemão de festividades e carioca nas horas vagas.

Anualmente Petrópolis recebe a Festa do Colono Alemão, Bauernfest, uma oportunidade para moradores e visitantes reconhecerem o valor dos imigrantes em festividades com música, dança, folclore e muita gastronomia.

Eu bem esperava encontrar uma feijoada alemã com feijões e salsichões brancos, mas não foi desta vez, quem sabe no próximo ano ? Fica aqui a dica do blog, Ya ?





Tudo muito limpo e organizado, o bom tempo ajudou e o domingo foi uma beleza. Bandas e grupos folcóricos de dança se alternaram nas apresentações gratuitas, com a participação especial dos Canarinhos de Petrópolis. É só escolher uma mesinha para degustar os tradicionais quitutes da gastronomia alemã. Fui de pernil de porco, salsichão branco e vermelho. Chopp encorpado da Bohemia, inventada aqui mesmo, e mais antiga cervejaria do Brasil, agora com uma belíssima fábrica fazendo jus à história.




Petrópolis faz parte da minha vida. Alemão pra mim só a Pavelka, onde sempre parávamos ao chegar após o que me parecia uma longa viagem. Na estrada a pausa para o ford do meu avô beber água era obrigatória. Quando avistávamos a pedra chorona, assim chamada porque a água escorria caindo nos vidro do carro, sabíamos que estávamos perto. Logo depois a benção do Cristo onde muitas vezes vendiam coelhinhos, a casa redonda e pronto, o Quitandinha e a entrada para Taquara.

Meus avós maternos mantiveram em vida uma pequena casinha no alto de uma colina com muitas histórias pra contar. Verão ou inverno eu e meus irmãos Álvaro e Valéria estávamos lá. Na hora do almoço minha avó Lolô batia 3 vezes num pequeno gongo de metal para que os netos subissem a ladeira. Eu saía de carro com meu avô Cláudio para ir comprar biscoito amanteigado de araruta, Soda Mora e cerveja Bohemia direto da fábrica que ele fazia questão de prestigiar. Na volta pra casa, pão, manteiga e presunto da padaria. À noite os adultos se reuniam para jogar sinuca na sede do condomínio enquanto a garotada se divertia livremente inventando brincadeiras e jogos.

Na gastronomia fora de casa, pizza era no Fuka's que lembrava uma lanchonete americana tipo diner. Churrasco na Maloca e almoço festivo na Mirthes Paranhos a quem gostávamos de considerar da família. Frutos do mar no Mauricio. Chocolate Katz e Caramelos Patrone. Feijoada só na casa da Vó Dica, que será devidamente tratada em outro post.

Carnaval só fantasiado e nos imensos salões do Quitandinha. "Pera, uva, maçã ou salada mista ?". Meu primeiro beijo foi aos 8 anos com a Marcela, atrás das pesadas cortinas do Clube que também tinha patinação no gelo, pista de kart, pula-pula, boliche, ping-pong, pedalinho, piscina aquecida...

"Ai que saudades, que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais."

Definitivamente Petrópolis faz parte de mim e quem dera um dia farei parte dela também !




Serviço:

Fundação de Cultura e Turismo Petrópolis

Tel (24) 2233-1200

http://www.petropolis.rj.gov.br/

Petrópolis Convention & Visitors Bureau
Tel (24) 2222-6852/6255
www.visitepetropolis.com

Programação Bauernfest 2011 - 22 de junho a 03 de julho

Em 2011, a Bauernfest chega a sua 22ª edição, com ainda mais alegria e imperdíveis atrações, totalmente GRATUITAS. Teatro, artesanato, histórias, brincadeiras, cinema, exposições e muito mais esperam por você e sua família.


Abertura do Burgo Alemão:

Segunda a sexta-feira – 16h

Sábados, domingos e feriados – 10h


Passeio de Trenzinho – Gratuito

Segunda a sexta-feira – 16h às 22h

Sábados, domingos e feriados – 10h às 13h e 14h às 22h


2º Circuito Gastronômico Alemão

Depois do sucesso do primeiro Circuito Gastronômico Alemão, o Petrópolis Convention & Visitors Bureau com o apoio da Fundação de Cultura e Turismo de Petrópolis, leva pela segunda vez consecutiva, a Bauernfest para diversos restaurantes. Durante os 12 dias da festa, eles incluirão em seu cardápio um prato típico da culinária germânica, em homenagem aos nossos colonizadores.


Canarinhos de Petrópolis cantam Aquarela do Brasil:




Um pouco de História...

A Serra da Estrela, onde se encontra Petrópolis, era praticamente desconhecida pelos colonizadores portugueses nos primeiros 200 anos de colonização, salvo por alguma expedição exploratória para tomar posse de sesmarias. Isso, por causa do enorme paredão montanhoso de mais de 1000m de altura que tinha que ser vencido para se chegar até lá; e, também, pela presença dos bravios índios Coroados que habitavam serra acima. Ali não havia atividade econômica.

Somente quando os bandeirantes paulistas descobriram ouro nas Minas Gerais é que foi aberto o Caminho Novo, em 1704, para facilitar a viagem até as vilas mineradoras. O caminho era “novo” porque havia um outro, o “velho”, desde meados dos anos 1600, muito longo e de difícil trânsito, aberto pelos próprios bandeirantes, constituído de trilhas e picadas até as minas de ouro.

A História de Petrópolis é a História do Brasil Colônia, a partir de 1822 quando da escolha do Imperador Dom Pedro I para tratamento de saúde da sua filha Princesa Dona Paula Mariana na fazenda do Padre Correia, no Caminho Novo, e posteriormente com a compra de terras para instalação da residência oficial de verão concluída pelo seu herdeiro Dom Pedro II.

Durante todo o 2° Reinado, a presença de D. Pedro II em Petrópolis se destacou, acima de qualquer outra personalidade, por sua influência, pela constância da sua presença e do seu amor à cidade. Na colonização, os alemães, que receberam toda a proteção e simpatia do Imperador, sempre lhe prestaram as maiores homenagens, chamando-o de “Unser Kaiser” (Nosso Imperador).

A cidade se desenvolvia rapidamente, com forte tendência aristocrática, por força da presença do Imperador e de sua corte, nas temporadas do verão petropolitano. Nobres, políticos, diplomatas, grandes senhores e toda sua “entourage”, ricos negociantes e a intelectualidade da época se transferia para Petrópolis, durante um semestre a cada ano. Palacetes eram construídos para morada dessa gente abonada. Quem não tinha moradia se hospedava em hotéis e casas de família. E a cidade assumia um aspecto elegante. Muitos desses palacetes, hoje fazem parte do patrimônio arquitetônico do Centro Histórico da cidade, cuja preservação é imprescindível para o desenvolvimento turístico e cultural de Petrópolis.

A maioria dos colonos que chegou a Petrópolis era natural de aldeias localizadas nos bispados de Treves e Mogúncia, na Renânia e Westphália. Eles vieram trabalhar na abertura da Estrada Normal da Estrela que dava acesso a Petrópolis, e no plano urbanístico traçado pelo Major Köeler que em 1843 arrendou a Fazenda Imperial e iniciou o seu trabalho na região. Foram 600 casais de colonos alemães contratados em 1844, exigindo-se que fossem artífices e artesãos com experiência.

Para os alemães se sentirem à vontade e se lembrarem de sua terra, Köeler repetiu os nomes das regiões de origem na Alemanha nos quarteirões da cidade como Mosela, Palatinado, Westphalia, Renânia, Nassau, Bingen, Ingelheim, Darmstadt, Woerstadt, Siméria, Castelânia Westphalia e Worms. Além disso, homenageou as diversas nacionalidades de outros colonos, dando-lhes nomes nos quarteirões: Quarteirão Francês, Suíço e Brasileiro.

Hoje, os descendentes dos colonos estão por toda a cidade e seus nomes de família podem ser encontrados no Obelisco do centro da cidade, nos guias telefônicos e dão nomes a ruas e praças. O progresso dos colonos alemães dinamizou Petrópolis, contribuindo para o seu desenvolvimento. O seu trabalho e a sua lembrança fazem parte da cidade.

Como todo povoado colonial, a cidade nasceu de um curato em 1845, subordinado a São José do Rio Preto e um ano depois, foi criada a Paróquia de São Pedro de Alcântara, vinculada à Vila da Estrela. Em 1857, onze anos após, foi elevado a município e cidade, sem passar pela condição de vila, o que era, na ocasião, inédito.