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domingo, 1 de fevereiro de 2015

Comedoria

O bardo Lulu costuma entoar o cântico "só falta reunir a zona norte à zona sul". Faltava, pois Katia Barbosa, a criadora do bolinho de feijoada mais famoso e gostoso do mundo, migrou da Praça da Bandeira, abrindo recentemente um novo restaurante no Principado do Leblon, bairro assim denominado pelo amigo jornalista-realista Paulo Mussoi. 


O Comedoria se instalou no antigo Devassa e Caneco 70. Obviamente trouxe o famoso bolinho do Aconchego Carioca porém seu cardápio traz muitas outras novidades dos experimentos da Katita para o seleto público dourado da zona sul que agora não precisa mais esperar na fila da "matriz".

Um grandicíssimo acerto foi a escalação do Ronaldo, um fenômeno de atendimento e simpatia do Barthodomeu, agora no comando do salão.


Cerveja na mesa e nas taças, começamos nossa degustação pelo bolinho de feijão verde com linguiça, dois componentes bastante apreciados por este que vos escreve.

Sou fã de arrumadinho, um prato típico do Nordeste montado com feijão verde que gosto de fazer e aprendi a apreciar durante os 8 anos que morei entre João Pessoa, Recife e Natal.

A textura e o recheio do bolinho não me fizeram pular de alegria mas admito que o feijão verde deva ser de difícil trato devido ao delicado sabor que ostenta quando muito fresco. 



Passamos na sequência para o bolinho de rabada com chutney picante de banana, sugestão do Ronaldo pela grande saída no atual cardápio, com certeza pelo sabor bem pontuado.


Mas o foco mesmo era a costelinha de porco embriagada na cerveja preta e acompanhada de nacos de polenta frita. Uma verdadeira delícia brasileira e a cara do blog !


Experimentamos também as deliciosas caipirinhas de frutas da estação como jaca e jabuticaba e capitulamos com as espetaculares sobremesas de cocada de coco no forno e pudim de pão.



Tanto o Comedoria quanto o Aconchego são casas que recomendo ir em grupos de 4 a 6 pessoas, permitindo assim que todos provem um pouco de todas as delícias do cardápio. Nesta visita nos acompanhou o amigo Cristiano Nogueira, editor do guia Rio For Partiers e outras publicações bilingues para turistas.


Serviço:
Comedoria
Rua Rainha Guilhermina, 48 - Leblon
Tel 21 2294-2913

https://www.facebook.com/pages/Comedoria_Bar/823753714359148?fref=ts

R$ 29,90 a porção de bolinho de feijão verde
R$ 29,90 a porção de bolinho de rabada
R$ 72,90 a costelinha embriagada


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

De papo pro ar

No carnaval cumpri meu compromisso com as irmãs Carmelitas na 6a feira e no dia seguinte fugi para passar férias com meus filhos na Paraíba.

Um passeio de canoa pelo rio pode lhe conectar a paraísos perdidos e a promessa de um almoço numa caiçara de pescador no retorno era tentadora. A dica foi do meu amigo irmão Ari que nos acompanhou nesta jornada de João Pessoa até à Baía da Traição no litoral norte do estado.

Foi então remando que saimos de Camurupim e bem lentamente, apreciando a paisaem, chegamos à Coqueirinho do Norte, uma praia situada em área de demarcação indígena no litoral paraibano. Até pouco tempo nem energia chegava por lá. Até agora poucos conhecem o caminho e desfrutam desta maravilhosa praia protegida por arrecifes e ladeada pelo manguezal do rio Mamanguape. Área de preservação do Projeto Peixe Boi.



Caminhada na praia, um mergulho no mar, outros no rio e voltamos de canoa para o almoço. No cardápio galinha à cabidela (molho pardo), peixe fresco e aratu, um crustáceo vermelho incomum que se cria nos mangues vizinhos. Tudo acompanhado de um delicioso feijão verde, arroz branco, pirão e salada. Pimenta pra temperar, suco de cajá pra refrescar e uma redinha pra descansar.

Na companhia dos meus filhotes eu não quero outra vida...





"Eu não quero outra vida
Pescando no rio de Jereré
Tenho peixe bom
Tem siri patola
Que dá com o pé

Quando no terreiro
Faz noite de luar
E vem a saudade me atormentar
Eu me vingo dela
Tocando viola de papo pro ar

Se compro na feira
Feijão, rapadura
Pra que trabalhar
Sou filho do homem
E o homem não deve
Se apoquentar"

De papo pro ar, Joubert de Carvalho




Serviço:
Bar do Tingo - Camurupim
Baía da Traição, PB
Tel 83 3625-9099 Tingo e Sandra (ligue e reserve sua refeição)


Sobre o autor da canção "De papo pro ar"

Nascido no Triângulo Mineiro, era um dos treze filhos do fazendeiro Tobias de Carvalho e de dona Francisca Gontijo de Carvalho.Tinha nove anos quando o pai comprou um piano, onde Joubert passou a tocar, de ouvido, os dobrados que ouvia na banda local. Aos doze, tendo terminado o curso primário em Uberaba, Joubert mudou-se com a família para São Paulo, por conta da preocupação do pai com a educação e formação dos filhos, que foram estudar no Ginásio São Bento.

A primeira composição de Joubert, a valsa Cruz Vermelha, foi inspirada no hospital infantil do mesmo nome, que havia em São Paulo, e cujas primeiras notas haviam sido tiradas no piano da infância.O pai permitiu a Joubert que vendesse as partituras, desde que o dinheiro revertesse em benefício do Hospital Cruz Vermelha. O relativo sucesso alcançado pela música animou Joubert a compor outras peças, que entregava à Casa Editora Compassi & Camin, com autorização de seu pai, desde que o pagamento se resumisse a alguns exemplares para Joubert distribuir aos amigos.Durante o curso ginasial Joubert foi se familiarizando com os clássicos, na casa de uma tia pianista.

Em 1919 Joubert foi para o Rio de Janeiro, onde o ensino era de melhor nível e, em 1920, entrou para a Faculdade de Medicina. Com uma mesada de 500 mil réis, Joubert continuava a compor e, durante uma de suas visitas a São Paulo, o editor fez novos pedidos, com a oferta de 600 mil réis mensais. Como o filho havia obtido êxito nos exames, o velho Tobias não só se rendeu, como manteve a mesada, propiciando ao jovem Joubert uma vida de estudante rico, que podia até mesmo morar em hotel.

Nessa época, influenciado por ritmos estrangeiros, Joubert compôs diversos tangos, como Cinco de Janeiro, dedicado ao sanitarista Oswaldo Cruz. Sua primeira composição gravada foi a canção Noivos, lançada em 1921. Mas seu primeiro grande sucesso viria em 1922 com O Príncipe, composta por inspiração da chuva e que seria sua primeira composição gravada no exterior, em 1931. No ano seguinte, 1923, compôs o tango Lindos olhos. "De papo pro á" foi lançado, com sucesso, por Formenti, em 1931, e revivido por Inezita Barroso, em seu LP Canto da Saudade.

Joubert de Carvalho nunca bebeu, nunca foi boêmio; bares e botequins jamais o atraíram. Homem culto e refinado, chegou também a escrever um romance: Espírito e Sexo, que se aproxima do ensaio social. Como médico, também foi muito talentoso e um dos pioneiros no Brasil em Medicina Psicossomática. Autor de mais de setecentas composições editadas, no final da vida, Joubert se afastou do mundo musical, pois os novos estilos surgidos deixaram pouco espaço ao romantismo do seresteiro que, de certa forma, ele foi. Joubert de Carvalho morreu no dia 20 de setembro de 1977, vítima de pneumonia, deixando importante legado para a música popular brasileira.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Joubert_de_Carvalho

sábado, 1 de outubro de 2011

Mororó

Nesta ida à Paraíba para visitar meus filhos tive a felicidade de conhecer o Mororó, restaurante em Campina Grande que atrai famílias locais e visitantes pela fidelidade à cozinha sertaneja, pela qualidade de seus produtos e pelo ambiente abrilhantado na presença de Dona Carminha Dantas. Fiz logo amizade com meu vizinho de mesa, o Severiano, que calma e sabiamente degustava uma cachaça Serra Limpa acompanhada de caldo de feijão e abacaxi. Pense numa combinação boa ? O abacaxi produzido na Paraíba é talvez o mais doce do país. Uma colher de caldinho ali, uma talagada aqui, e vc vai longe a tarde toda !





Mororó é um tipo de árvore da caatinga muito conhecida também como Unha-de-Vaca, Pé-de-Boi ou ainda, Pau-de-dar-em-doido. No cardápio culinária típica do Brejo, Cariri e Sertão. A ambientação foi cuidadosamente pesquisada e implementada pelo Paulo, que além de ser muito bom de conversar, é filho e sócio de sua mãe no negócio, ao lado do irmão Everaldo.

Escolhi uma mesa no ambiente da Bodega onde uma coleção de itens remetem à cultura local, tudo junto e misturado num belo mosaico. Ali ao lado um viveiro de belas aves oferecem cores e sons. Enquanto meu filho se divertia no parquinho, acatei a sugestão do vizinho e iniciei os trabalhos com uma dose de cachaça para abrir o apetite.




Feijão verde é o feijão de corda ou fradinho quando ainda não estão maduros para colheita. Uma iguaria regional de tempero levemente adocicado e bastante vivo. Para acompanhá-lo nossa escolha foi carne de sol acebolada, macaxeira (aipim), arroz de leite e farofa d'água. A meia porção serve bem duas pessoas. Tudo espetacularmente gostoso ! Definitivamente um lugar para retornar sempre.






Serviço:
Mororó
Rua Ana Azevedo, s/n (próximo à CPTRAN) - Bairro da Palmeira
Campina Grande - PB
Tel 83 3343-0106

R$ 3,20 a dose de Serra Limpa (para calibrar as idéias)
R$ 5,50 a porção de fava (para tapear o bucho)
R$ 31, a meia porção de Carne de Sol completa (para encher o bucho)
R$ 3,60 sorvete de castanha da casa

domingo, 4 de abril de 2010

Mangai

Aqui tem até Feijoada ! Do litoral ao sertão, Carne de Sol com Nata, Baião de Dois, Gororoba, Suvaco de Cobra, Pernil de Bode, Filé de Pescada e Lasanha de Macaxeira estão entre as mais de 70 receitas da gastronomia nordestina oferecidas diariamente no restaurante. Feira de Mangai é um local onde se encontra um pouco de tudo, sobretudo no interior do Nordeste brasileiro. Assim é o restaurante, que recria o ambiente adicionando elementos típicos das casas, dos costumes e gostos nordestinos e ainda uma bodega para venda de bolos, doces e cachaça entre outros produtos regionais.

Levado na primeira vez pelo meu amigo Ari, conheci o Mangai em 1993 quando fui morar em João Pessoa e o restaurante era basicamente frequentado pelos pessoenses. Nada melhor para iniciar o dia que o café da manhã de sucos regionais, tapioca, coalhada, pamonha, queijo de coalho assado e pão na brasa. Muitas vezes lá estive com minha filha Mariana, que embalava nas redes enquanto terminávamos a refeição tranquilamente. Me apaixonei imediatamente pelo Arroz de Queijo, a Paçoca de Carne de Sol, Feijão Verde e Banana caramelada, uma mistura perfeita que repito sempre que visito a cidade. O restaurante foi ficando famoso, ponto de referência que se espalhou por Natal e Brasília. Senti mesmo falta foi da Parea, trazendo a tábua de rapadura preta com queijo manteiga e que mostrando a peixeira perguntava: " Quer com ou sem ignorância ?" referindo-se ao tamanho do pedaço cortesia oferecido pela casa.



Serviço:
Mangai
Av. Edson Ramalho, 696 - Manaíra
João Pessoa - PB
Tel 83 3226-1615
R$ 31,90 o quilo no Buffet Self Service
Páscoa com meus filhotes: não tem preço ! ;)