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domingo, 1 de setembro de 2019

Dobradinha do Bar da Portuguesa

Pixinguinha frequentava o bar e ganhou sua estátua recentemente ali na porta. Não tem feijoada, o torresmo é dos melhores da cidade e para justificar o post pedimos a Dobradinha com feijão branco e linguiça.

 


Neste domingo reunimos uma caravana para degustar a cozinha mágica da Dona Donzilia, a Portuguesa do bar. Ela pouco sai da toca onde se dedica a cumprir sua missão de encantar os muitos fregueses. Se vc nunca foi sugiro que monte um grupo de pelo menos 8 amigos e chegue cedo para garantir sua mesa. Aqui não tem meia porção. A idéia é pedir vários pratos sempre generosos para compartilhar como num  almoço em família.

 

Bolinhos mágicos de Bacalhau e Jiló recheado com carne seca.

 

Sardinhas fritas à perfeição e Fritada de Camarões

 

Punheta respeitosa de Bacalhau e Dobradinha à moda

 

Nossa caravana




Serviço:
Bar da Portuguesa
Rua Custódio Nunes, 155 - Ramos
Tel 21 34862472

R$ 6, o bolinho de bacalhau
R$ 7,50 o jiló recheado
R$ 5,50 a sardinha
R$ 60, a fritada de camarões
R$ 62, a punheta de bacalhau
R$ 25,90 a dobradinha

domingo, 10 de novembro de 2013

Torresmo de barriga

Quem me conhece sabe do meu fraco por torresmo. Já até perdi um dente numa destas feijoadas da vida por conta de um infeliz exemplar. Brasileiro que sou não desisto, e aprendi a degustá-lo com moderação a fim de evitar nova idas desnecessárias ao dentista.

Preparado a partir da barriga do porco há muito ouvia comentários e artigos sobre o torresmo do Bar da Portuguesa. Fui então provar esta iguaria servida apenas aos domingos no pacato bairro de Ramos.

Uma enorme amendoeira providencia a sombra na calçada. O botequim impecavelmente limpo e ladrilhado é bem arejado mas o gostoso mesmo é sentar numa mesinha do lado de fora e observar os periquitos.




Dona Donzília, ou Alzira como costumam chamá-la, chegou à nossa terra em 1968 e logo depois abriu o bar que tinha como nome original Copão de Ouro. 

São muitas as delícias servidas generosamente no botequim. Entre um e vários outros torresmos, provamos também o Jiló recheado com Carne Assada, a Fritada de Bacalhau e a Punheta servidos pela Sueli. Felicidade total !

Na nossa opinião o cardápio poderia oferecer opções de meia-porções ou tapas pois saímos com a vontade termos provados mais sabores. Até quentinha levamos !



O bar recebeu em 1969 o encontro do vizinho Pixinguinha e do violonista Baden Powell, registrado pelo músico francês Pierre Barouh no documentário "Saravah" (leia abaixo) que desembarca no Rio de Janeiro disposto a registrar em película momentos de uma música que, embora conhecesse pouco, o fascinava intensamente.


Saravá !
www.youtube.com/watch?v=nPGcQM5nb8M

Serviço:
Bar da Portuguesa
Rua Custódio Nunes, 155 (esquina com Rua João Silva) - Ramos
Tel (21) 2260-8979

Terça a Quinta: 17h às 22h
Sexta: 17h às 23h
Sábado: 10h às 18h
Domingo: 10h às 16h

Sobre o encontro do Samba com a Bossa Nova
Saravah é resultado das sessões de filmagem com Pixinguinha e João da Baiana, então octagenários, os jovens Maria Bethânia - aos 21 anos - e Paulinho da Viola, tendo Baden Powell como elo de ligação entre gerações tão distantes e fundamentais da arte brasileira.

O francês Pierre Barouh, de 71 anos, orgulha-se de ter sido sempre um amador, no bom sentido. 'A gente se encontra com as pessoas e deixa levar', diz. Em Lisboa, em 1959, fez amizade com o sanfoneiro Sivuca, que o apresentou à música popular brasileira. 'O resultado foi que me apaixonei', conta. 

Anos depois, encontrou o cineasta Claude Lelouch e terminou compondo para ele alguns dos temas de Um Homem, Uma Mulher (1966), em parceria com Francis Lai. Com voz suave e cool, Barouh gravou para o filme a versão francesa de 'Samba da Bênção', com acompanhamento do compositor, o violonista Baden Powell (1937-2000). 

O filme de Lelouch divulgou a bossa nova na Europa, por causa do sucesso de uma das canções, 'Sabadabada'. E foi o acaso que trouxe Barouh ao Rio de Janeiro num fevereiro muito quente do ano de 1969. 

'Um amigo me convidou para viajar para o Rio. Vim para filmar 'música brasileira', confiando na amizade de Baden', conta. 'Mas só tinha três dias para produzir tudo.' Filmou o que pôde numa correria só, voltou a Paris e mandou revelar o filme. Intitulou o experimento de Saravah. 

Hoje vivendo em Tóquio, Barouh lançou Saravah em fita cassete há quatro anos no Japão. A versão em DVD saiu há dois. 'Como é o Ano do Brasil na França, aproveitei para lançar o DVD por lá. Foi há quatro meses', diz. 'Agora chegou a vez de os brasileiros descobrirem o trabalho.' 

De fato, assistir a Saravah é como abrir a arca de um tesouro sonoro nunca revelado. De repente, volta à vida Baden Powell, no auge da carreira e do domínio de sua arte, encarregado de levar o francês encantado pelos bares, clubes e quintais do Rio, ao mesmo tempo que acompanhava outros músicos com seu talento incrível. Ele e Barouh arranjaram um encontro entre a cantora Maria Bethânia e o sambista Paulinho da Viola numa mesa de bar em Itaipu, no litoral fluminense, então uma vila de pescadores. Bethânia, aos 21 anos, abriu-se diante da câmera amadora; cantou e contou tudo o que sabia, ao lado de um Paulinho convicto de manter a diferença em relação à moça. 'Temos formação e compromissos diferentes', diz. 'Sou compositor de escola de samba.' 

Bethânia aparece ainda em ensaios na boate Sucata, interpretando 'Baby' e 'Tropicália', canções de seu irmão Caetano, então exilado na Inglaterra. E é acompanhada - em improvável combinação - por Baden e pelo trombonista Raul de Souza. Outra cantora, Márcia, mostra os sambas afros de Baden num clima de total descontração. E há instantes preciosos, como o percussionista João da Bahiana (1887-1974) tocando prato numa tentativa de distinguir macumba de candomblé, e o maestro Pixinguinha (1897-1973) no fundo do quintal de sua casa suburbana, em Jacarepaguá, executando o clássico 'Lamento' ao sax tenor, acompanhado por Baden e João da Bahiana. 'Filmei ensaios. Eles são melhores que shows', ensina Barouh. 

Não se trata de material para cineastas, mas para fãs de MPB, avisa. Ele está eufórico com sua volta ao Brasil. 'Muita coisa mudou, compositores foram favelizados, mas a música brasileira continua fantástica', vibra. 'Isto é a vida!' 

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,,EPT992465-1661,00.html

domingo, 18 de setembro de 2011

Feijoada do Cacique

O Grêmio Recreativo Cacique de Ramos organizou uma feijoada em homenagem a sua madrinha e primeira-dama do samba, Beth Carvalho, afinal este ano a agremiação celebra 50 anos de samba e muita estória pra contar embaixo da tamarineira.

Fundado em 20 de janeiro de 1961 por três famílias: Félix do Nascimento, Oliveira e Espírito Santo, o bloco carnavalesco é originário do subúrbio carioca de Ramos tendo como padroeiro São Sebastião. Berço de sambistas como Almir Guineto, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, João Nogueira e Monarco, além da prata da casa Bira Presidente tendo projetado também o grupo Fundo de Quintal, Neguindo da Beija Flor, Jovelina Pérola Negra, Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e tantos outros. Ponto obrigatório do roteiro musical da cidade.





A quadra aberta e bem ventilada recebe todos de portas abertas, literalmente, pois aqui todo mundo é índio igual e ninguém paga ingresso para desfrutar das tradicionais rodas de samba dos domingos. No terceiro domingo do mês é dia de feijoada. Tudo no esquema: feijão bem temperado, molho de pimenta, arroz, farofinha salgada, couve crocante, torresmo, laranja seleta e carnes tenras. Tudo acompanhado pelos grupos Voz Ativa e Cacique. Gabrielzinho do Irajá apareceu por lá e a homenageada, claro, deu sua canja para delírio dos caciqueanos.





Condecorado "Patrimônio Cultural Carioca", 0 bloco que desfila tradicionalmente na Avenida Rio Branco durante os três dias do Carnaval, será homenageado em 2012 pela Mangueira quando uma multidão de índios guerreiros, carajás, apaches, tamoios e xavantes tomarão conta do Sambódromo com muita raça e orgulho.




"Olha meu amor
Esquece a dor da vida
Deixa o desamor
Caciqueando na avenida
Esta ano eu não vou marcar bobeira
Vou caciquear
Só vou parar na quarta-feira
Vou caciquear
Só vou parar na quarta-feira
Na onda do Cacique
Eu vou
Porque caciqueano
Eu sou "




Serviço:
G.R. Cacique de Ramos (terceiro domingo do mês)
Rua Uranos, 1326 - Olaria
Metrô Del Castilho
http://www.caciquederamos.com.br/

R$ 15, a feijoada empratada (entrada gratuita)